domingo, 25 de maio de 2014

um certo homem de lata

trabalha, trabalha, trabalha
que não é de carne
que não é de pedra
o tempo e o ar
cuidarão de corroer teus sonhos
suas peças
e logo será ferro-velho
nas engrenagens da vida

ele sonha ter um coração
e mesmo não tendo
almeja amar
como poderia sendo oco?

que mal há não ter coração?
se ama um amor
que vem não sei de onde
que ama um amor
não sei por quem?

é certo que sendo de lata
nem de ouro e nem de prata
dê-se pouco valor
mas a estima pelo outro
há de algo valer

como poderia sendo oco?

um certo homem de lata
fez diferente, um dia
ousou amar
e não será esquecido




sexta-feira, 23 de maio de 2014

o espantalho



e qual seria o mal
em não ter um cérebro?
não se segurar sobre as pernas
e ter saídas que a maioria ignora?

tão feio, tão fraco,
haveria de ter serventia
era boa compahia
e me fazia sorrir

não poderia ter passado 
pelo que eu passei
e agora seria cinzas
dentro de seu terno paletó

seria elegante
se não fosse tão desajeitado
seria homem
se não fosse um espantalho.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

a estrada de tijolos amarelos



a inocência mata
e faz morrer
sufocada entre 
dois mundos
o que deixei
e o que sonho em viver

daquele lado onde
todo campo foi devastado
por um ou cem intrusos
que vieram secos
na ganância de 
invadir e pilhar
onde nada mais foresce
e o que havia pegou fogo
no inverno passado

à minha frente
uma estrada se abre
chamando ao que vem
e com sapatinhos vermelhos 
vou
impelida por sonhos
e promessas de melhoria
ai de mim
que caminho
me perdendo
no caminho

quarta-feira, 21 de maio de 2014

espirais recorrentes

e se eu decidir ir sem você
e deixar meu amor
me matar de novo
e de novo
e mais uma vez

canções de amor perdido
em espirais sem fim
em refrões batidos
matam-me de novo
e confundem minha cabeça

precisou me deixar de fora
antes sabia me fazer sentir bem
devolvia sorrisos arrancados
precisou me deixar de fora
agora para me ensinar
que sorrir não tem sentido 
se o que quero mesmo é chorar

e se eu decidir ir sem você
e deixar meu amor viver
vou me matar de novo
e de novo
e mais uma vez...

chão

nota-se um vão 
nas coisas mundanas
vazias de sentido e carregadas 
de valores prévios e sumários

não é o que vê
é a ilusão inocente 
do enxergar
o tropeço do bêbado
o mirar do cego

e tudo rodopia lento
num vórtice de calma e ignorância
saber tão pouco ou nada saber
que diferença faz?

se as folhas que o vento ergue
se as folhas que o vento brinca
se as folhas que o vento engana
voltam sempre certeiras ao chão

domingo, 18 de maio de 2014

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                                                                        o ciclone
veio cinza, tirou toda a letargia e sossego do lugar. Não se engane, Doroty, não vai passar, não vai.